Artigos dos bispos
Dom Juarez Albino Destro
Bispo Auxiliar de Porto Alegre (RS)
O papa Leão XIV aborda a descoberta do dom interior de Deus em sua primeira mensagem por ocasião do 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações (DMOV), que será no 4º Domingo da Páscoa, em 26 de abril, Domingo do Bom Pastor. O texto foi publicado no dia 16 de março. Desde o ano de 1964, quando o DMOV foi instituído por São Paulo VI, os papas enviam mensagem ao povo de Deus, refletindo uma temática específica e animando a todos para, juntos, recordarmos da importância de não apenas rezarmos pelas vocações, mas sermos, todos nós, “operários na messe”, ou seja, sermos discípulos missionários de Jesus, ajudando na construção de um mundo de comunhão, paz e amor, onde a vida prevaleça!
Interessante observar um detalhe no endereçamento da primeira mensagem de Leão XIV ao DMOV. Se João Paulo II, em suas 27 mensagens, sempre utilizou o “Veneráveis irmãos no Episcopado, caros filhos e filhas de todo o mundo”, com uma pequena variação nas duas últimas, omitindo o “de todo o mundo”; se Bento XVI iniciou da mesma forma suas 8 mensagens, alterando, com o tempo, para simplesmente “Caros irmãos e irmãs”; se Francisco, em suas 12 cartas, manteve a simplicidade, utilizando o endereçamento direto aos irmãos e irmãs, com apenas uma exceção em 2023, onde acrescentou “Caríssimos jovens”; Leão XIV, em sua primeira mensagem, recupera exatamente esse endereçamento de Francisco de 2023: “Caros irmãos e irmãs, caríssimos jovens”. Parece um mero detalhe, mas, certamente, significa algo muito importante: a mensagem é, sim, para todo o Povo de Deus – cristãos leigos e leigas, pessoas de vida consagrada, ministros ordenados – , mas, especialmente, aos jovens e, por acréscimo, aos que estão no serviço de animação da juventude!
A primeira das 15 mensagens de Paulo VI, 1964, foi por rádio, concluindo com uma oração vocacional que, posteriormente, foi adaptada e, hoje, é rezada – de memória – por muitas comunidades eclesiais do Rio Grande do Sul e de outros estados do Brasil: “Ó Jesus, divino pastor das almas, que chamastes os apóstolos para fazer deles pescadores de homens, atraí a vós ainda almas ardentes e generosas de jovens, para torná-los vossos seguidores e vossos ministros…”. Hoje rezamos assim: “Jesus, mestre divino, que chamastes os apóstolos a vos seguirem, continuai a passar pelos nossos caminhos… e continuai a repetir o convite a muitos de nossos jovens…”. Não se observa no início da maioria das cartas de Paulo VI o endereçamento como vemos hoje nas demais mensagens. Em suas três últimas, porém, utilizou: “A todos os Irmãos e Filhos da Igreja Católica”. No corpo das mensagens, no entanto, percebe-se o destaque aos jovens.
São, ao todo, 63 mensagens vocacionais, escritas por cinco papas, de diferentes nacionalidades: italiano, polonês, alemão, argentino e norte-americano. Formam um verdadeiro tesouro vocacional!
Na mensagem deste ano o papa Leão XIV apresenta uma reflexão sobre a “dimensão interior da vocação, entendida como descoberta do dom gratuito de Deus que floresce no mais profundo do coração de cada um de nós”. Os grifos são nossos para destacar algumas palavras fortes: dimensão interior, descoberta, dom gratuito, coração, vocação. O convite é para percorrermos, juntos, “o caminho de uma vida verdadeiramente bela, que o Pastor nos indica”, afirmou o papa! Vamos?
Beleza. Leão XIV resgata a expressão original em grego presente no evangelho de João, onde Jesus define-se como o pastor belo (Jo 10,11). Sim, estamos acostumados a conhecer o Bom Pastor e não o Pastor Belo. Alguns estudiosos, inclusive, associam o termo grego Kalos (belo) ao termo Kalien, que significa “chamar”. Mesma raiz. Mais que valor estético, artístico, o “belo” está ligado a uma bondade que assume conotações de obediência e compreensão do chamado, possibilitando uma resposta de adesão convicta. “A expressão indica um pastor perfeito, autêntico, exemplar, na medida em que se mostra disposto a dar a vida pelas suas ovelhas, manifestando, assim, o amor de Deus. É o Pastor que fascina: quem olha para ele descobre que a vida é realmente bela se o seguir. Para conhecer esta beleza, não bastam apenas os olhos do corpo ou critérios estéticos: são necessárias a contemplação e a interioridade. Só quem se detém, escuta, reza e acolhe o seu olhar pode dizer com confiança: Acredito nele, com ele a vida pode ser realmente bela, quero percorrer a via desta beleza. E o mais extraordinário é que, ao nos tornarmos seus discípulos, tornamo-nos também belos: a sua beleza transfigura-nos”, escreve o papa na mensagem.
Conhecer. Citando a frase “O Senhor da vida conhece-nos e ilumina o nosso coração com o seu olhar de amor” (n. 5), de sua Carta Apostólica, Uma fidelidade que gera futuro – publicada recentemente, em 8 de dezembro, por ocasião dos 60 anos dos Decretos Conciliares Optatam Totius e Presbyterorum Ordinis, o primeiro sobre a formação sacerdotal e o segundo sobre o ministério e a vida dos sacerdotes – , o papa Leão recordou, na mensagem, que “Deus nos conhece profundamente, contou os cabelos da nossa cabeça (cf. Mt 10,30) e para cada um pensou um caminho único de santidade e serviço”. Em contrapartida, “somos convidados a conhecer Deus através da oração, da escuta da Palavra, dos Sacramentos, da vida da Igreja e da doação aos irmãos e irmãs […]. Deus habita no nosso coração: a vocação é um diálogo íntimo com ele que, apesar do ruído por vezes ensurdecedor do mundo, nos chama, convidando-nos a responder com verdadeira alegria e generosidade”.
Confiar. “Do conhecimento nasce a confiança”, lembrou o papa. “Atitude que é filha da fé, essencial tanto para acolher a vocação como para perseverar nela. A vida, efetivamente, revela-se como um contínuo confiar e abandonar-se ao Senhor, mesmo quando os seus planos perturbam os nossos”. E citou São José, esposo de Maria e pai adotivo de Jesus, “ícone de confiança total no desígnio de Deus: confia mesmo quando tudo à sua volta parece ser trevas e negatividade, quando as coisas parecem ir na direção oposta à prevista”. O Jubileu da Esperança, celebrado em 2025, ensinou-nos a “cultivar uma confiança sólida e permanente nas promessas de Deus, sem nunca ceder ao desespero, superando medos e incertezas, certos de que o Ressuscitado é o Senhor da história do mundo e da nossa história pessoal […]. Graças à luz e à força do seu Espírito que, mesmo através de provações e crises, podemos ver a nossa vocação amadurecer, refletindo cada vez mais a beleza daquele que nos chamou, uma beleza feita de fidelidade e confiança, apesar de nossas feridas e quedas”.
Amadurecer. A vocação é um processo dinâmico de amadurecimento, recordou o papa Leão na mensagem. Para “crescer” na vocação devemos “estar com Jesus, deixar o Espírito Santo agir nos corações e nas situações da vida e reler tudo à luz do dom recebido”. O discernimento e a reflexão são importantes “para que uma vocação possa realizar-se em toda a sua beleza”.
Convite feito: conhecer, confiar, amadurecer. E para todos nós – famílias, paróquias, comunidades religiosas, bispos, sacerdotes, diáconos, catequistas, educadores e fiéis leigos. Devemos criar ambientes favoráveis ao despertar, discernir, cultivar, acompanhar vocações, para que possam dar fruto abundante. “Somente se os nossos ambientes brilharem pela fé viva, pela oração constante e pelo acompanhamento fraterno, o apelo de Deus poderá florescer e amadurecer, tornando-se caminho de felicidade e salvação para cada um e para o mundo. Caminhando pela via que Jesus, o Bom Pastor, nos indica, aprendemos então a conhecermo-nos melhor a nós mesmos e a conhecer mais de perto Deus, que nos chamou”, afirma o papa.
Convite especial aos jovens, para que escutem a voz do Senhor e descubram como poderão se doar no caminho do matrimônio ou do sacerdócio, ou do diaconato permanente, ou na vida consagrada, religiosa ou secular. “Cada vocação é um dom imenso para a Igreja e para quem a acolhe com alegria. Conhecer o Senhor significa, antes de tudo, aprender a confiar nele e na sua Providência, que superabunda em cada vocação”. Uma beleza a ser constantemente compreendida e vivenciada!
Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Caríssimos, a paz do Senhor ressuscitado esteja com todos vocês! É com o coração repleto da alegria pascal, tempo em que celebramos o Cristo que venceu a morte e nos enviou o Seu Espírito, que me alegro em partilhar um momento de singular importância para a vida e a missão da nossa Igreja. Na próxima semana, entre os dias 15 e 24 de abril, nós, os pastores do rebanho do Senhor em nossas terras, estaremos reunidos para a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a nossa CNBB. Este grande encontro ocorrerá sob o olhar maternal da Padroeira do nosso país, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no Estado de São Paulo. A Assembleia Geral, como órgão supremo da nossa Conferência, não é um simples congresso ou uma reunião administrativa, mas é a expressão e a realização maior do afeto colegial, da comunhão e da corresponsabilidade de todos os bispos. Como nos ensina o livro dos Atos dos Apóstolos, seremos como a primeira comunidade cristã que perseverava “unânime na oração, com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus” (Atos 1, 14). O Estatuto da CNBB estabelece claramente que este órgão tem a finalidade de realizar os objetivos da Conferência para o bem de todo o povo de Deus, tratando de assuntos pastorais relacionados à nossa missão e aos desafios que afligem as pessoas e a nossa sociedade, sempre com os olhos fixos na perspectiva da evangelização, obedecendo ao mandato do Senhor: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Marcos 16, 15).
Neste ano, a nossa Assembleia terá como tema central um passo fundamental para o futuro da nossa caminhada eclesial: a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Todos nós recordamos que este processo de atualização foi sabiamente adiado para que pudesse amadurecer e receber as ricas contribuições do Sínodo sobre a Sinodalidade, convocado pelo amado Papa, além de acolher os preciosos acréscimos e sugestões enviados pelas diversas dioceses, pastorais e organismos que formam o tecido vivo da nossa fé. Agora, este texto chega ao conjunto do episcopado para ser rezado, debatido, votado e, com a graça de Deus, aprovado. As Diretrizes formam o documento primordial que direciona e orienta a missão da Igreja de evangelizar em nosso imenso país continental. Elas têm o propósito de auxiliar as nossas arquidioceses e dioceses em sua atuação pastoral diária, partindo sempre de um discernimento claro da nossa realidade atual e oferecendo propostas concretas para iluminar tanto a vida eclesial quanto a sociedade civil a partir dos valores inegociáveis do Evangelho de Cristo. É a luz da Palavra de Deus guiando os nossos passos, pois “lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para o meu caminho” (Salmo 119, 105).
Além deste grande tema central, nossa pauta será intensa e dedicada. Abordaremos três temas prioritários, vinte temas diversos, além de elaborarmos quatro mensagens oficiais e recebermos dez comunicações. Entre os temas prioritários, debruçaremos nossa atenção sobre o relatório da Presidência da CNBB. Já entre os temas diversos, dedicaremos tempo para análises aprofundadas da conjuntura social e eclesial do nosso Brasil, buscando compreender os sinais dos tempos. Trataremos do processo de implantação do Sínodo sobre a Sinodalidade em nossas realidades locais; faremos a aprovação de textos litúrgicos importantes para as nossas celebrações; e avaliaremos as nossas Campanhas da CNBB, que tanta solidariedade despertam. Um ponto de extrema relevância em nossa pauta será a Tutela de Menores e adultos vulneráveis, reafirmando o compromisso inabalável da Igreja com a proteção e o cuidado dos mais frágeis, espelhando a atitude de Jesus que nos adverte que “tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mateus 25, 40). Também prepararemos o nosso coração para eventos futuros de grande magnitude, como o Congresso Americano Missionário (CAM 7), marcado para o ano de 2029; a celebração do Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé; a urgente e bela atualização do Documento de número 85 da CNBB, que trata da “Evangelização da Juventude”; e a organização do nosso 19º Congresso Eucarístico Nacional, que acontecerá em 2027.
Para que todas essas decisões sejam verdadeiramente inspiradas pelo Espírito Santo, a nossa Assembleia é, antes de tudo, um evento de oração e escuta de Deus. Por isso, vivenciaremos um retiro espiritual que terá início na tarde do dia 15 de abril, concluindo-se com a Eucaristia na noite de quinta-feira. Antes dessa missa, prevista para as 18 horas, nós, bispos, sairemos em procissão do Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida até a Basílica do Santuário Nacional, rezando o Santo Terço e confiando as dores e alegrias do nosso povo à Mãe de Deus. A nossa programação diária de trabalhos será sempre sustentada pela liturgia das horas. Iniciaremos às 8 horas da manhã com a oração das Laudes. Teremos quatro sessões diárias, sendo as da manhã iniciadas às 8h30 e às 11h. À tarde, retornaremos às 15 horas com a oração da Hora Média, e encerraremos o dia de debates às 18 horas, celebrando a Eucaristia unida à oração das Vésperas no altar central da basílica de Aparecida. No final de semana, no sábado, dia 18, a missa será celebrada logo cedo, às 7 horas, e no domingo, dia 19, a celebração Eucarística ocorrerá às 8 horas da manhã, sempre em profunda união com todos os fiéis que visitam o Santuário e que nos acompanham de longe.
Esta grandiosa comunhão episcopal reflete a imensidão da nossa Igreja Católica no Brasil, que hoje possui 281 circunscrições eclesiásticas. O número total de sucessores dos apóstolos em nosso país é de 497 bispos, dos quais 324 estão no exercício do governo pastoral de alguma diocese ou arquidiocese, enquanto outros 173 são bispos eméritos, que continuam a servir à Igreja com a sabedoria de sua experiência e a força de suas orações. Estão convocados para esta Assembleia todos os cardeais, arcebispos, bispos diocesanos, coadjutores e auxiliares. Além deles, são convidados os bispos eméritos, os administradores diocesanos e os representantes dos organismos e pastorais. Deste total, temos a alegria de contar com 373 inscritos que estarão fisicamente presentes na 62ª Assembleia Geral, unindo suas vozes e corações para discernir a vontade de Deus para o rebanho brasileiro.
Peço que toda a nossa Arquidiocese do Rio de Janeiro se una a nós em oração ao longo desses dias. E para que todos possam caminhar conosco, convido-os a acompanhar o nosso encontro pelos eficientes meios de comunicação da CNBB e pelas abençoadas emissoras de rádio e televisão de inspiração católica. A sessão de abertura, as missas diárias e as coletivas de imprensa – que ocorrerão todos os dias às 10h30 com os bispos definidos pela Presidência – serão transmitidas ao vivo no canal da CNBB no YouTube e nas TVs católicas. A Assessoria de Comunicação preparou uma rica cobertura para as redes sociais e para o Portal da CNBB, oferecendo programas diários como a “Live sobre a pauta do dia” às 7h45, o “CNBB Confere” às 9h, o Podcast às 11h45, o Boletim de Rádio às 17h, e o “Boletim Igreja no Brasil” encerrando a jornada de notícias às 19h. Que possamos, juntos, rezar pelo êxito desta Assembleia, certos de que “onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18, 20).
Convido a todos os nossos arquidiocesanos a rezarem por mim e pelos bispos auxiliares que vamos, em comunhão com o Episcopado brasileiro, participar da Assembleia da CNBB. Acompanhe-nos com as suas orações e, na medida do possível, sintonizem pelas TVS de inspiração católica nas celebrações diárias!
Que Nossa Senhora da Conceição Aparecida e nosso glorioso mártir São Sebastião intercedam por todos nós. Deus os abençoe!
Dom Anuar Batistti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)
Irmãos e irmãs, à luz dos acontecimentos recentes da vida da Igreja, somos convidados a voltar o nosso olhar e o nosso coração para um forte apelo feito pelo amado Papa Leão XIV: a convocação de uma Vigília de Oração pela paz, a ser realizada no dia 11 de abril, na Basílica de São Pedro, em Roma, aberta a todos os fiéis do mundo inteiro.
Não se trata de um simples evento devocional, mas de um gesto profundamente eclesial e profético. O Romano Pontífice, ao dirigir esse convite à Igreja inteira, recorda que a oração é a primeira e mais eficaz resposta diante das guerras, dos conflitos e das divisões que marcam o nosso tempo. Em meio a tantas tensões internacionais, ele nos chama a redescobrir a força espiritual da súplica comum, elevando a Deus um clamor que nasce do coração humano ferido pela violência.
Na sua mensagem, o Santo Padre foi claro ao afirmar que a paz que Cristo oferece “não se limita a silenciar as armas, mas toca e transforma o coração de cada um de nós”. Aqui está um ponto essencial: a paz cristã não é apenas ausência de guerra, mas fruto de uma conversão interior. É a paz que nasce do Evangelho, da reconciliação com Deus e com os irmãos.
Esse ensinamento encontra sólido fundamento na Sagrada Escritura. O próprio Senhor Ressuscitado, ao aparecer aos discípulos, lhes diz: “A paz esteja convosco” (Jo 20,19). Essa paz não é externa, mas interior; não é imposta, mas oferecida. Do mesmo modo, São Paulo nos recorda que Cristo “é a nossa paz” (Ef 2,14), pois derrubou os muros da divisão e reconciliou a humanidade com Deus.
Ao convocar essa Vigília, o Papa também faz um apelo concreto à responsabilidade humana. Ele afirma que somente o retorno ao diálogo poderá conduzir ao fim dos conflitos e exorta a comunidade internacional a acompanhar os esforços diplomáticos com a oração. Assim, oração e ação não se opõem, mas se complementam: a oração sustenta e ilumina os caminhos da paz.
Esse chamado ecoa diretamente o ensinamento bíblico: “Procurai a paz e segui-a” (Sl 34,15). A paz não acontece por acaso, ela deve ser buscada, construída, desejada. E mais ainda, deve ser pedida a Deus, pois é dom antes de ser conquista humana.
O contexto pascal em que essa vigília é convocada dá ainda mais profundidade ao seu significado. Após celebrar a Ressurreição, o Papa recorda que a vitória de Cristo é a vitória da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio. A paz verdadeira nasce exatamente dessa vitória pascal. Cristo não venceu pela violência, mas pelo amor que se entrega até o fim.
Por isso, o Santo Padre faz um apelo forte e direto: que aqueles que têm armas as depõem, que aqueles que têm poder escolham o caminho do diálogo. Trata-se de um chamado à conversão não apenas pessoal, mas também social e política. A paz exige decisões concretas, escolhas corajosas e renúncias verdadeiras.
Mas o Papa também alerta para um perigo silencioso: a indiferença. Ele denuncia aquilo que já foi chamado de “globalização da indiferença”, ou seja, a incapacidade de se comover diante do sofrimento do outro. Nesse sentido, a vigília de oração é também um antídoto contra essa insensibilidade, pois nos coloca diante de Deus e nos abre ao clamor da humanidade.
Diante disso, a participação dos fiéis, mesmo à distância, torna-se essencial. A Igreja, desde suas origens, sempre compreendeu a força da oração comum. Como nos recorda o livro dos Atos dos Apóstolos: “Todos perseveravam unanimemente na oração” (At 1,14). É essa unidade espiritual que sustenta a missão da Igreja e a torna sinal de esperança no mundo.
A Vigília de Oração pela paz, portanto, não é apenas um momento localizado em Roma, mas um convite universal. Cada comunidade, cada família, cada fiel é chamado a unir-se espiritualmente a esse clamor. Onde houver um coração que reza pela paz, ali a Igreja estará viva e atuante.
Como seria interessante, neste sábado, dia 11 de abril, marcássemos um horário para a reza do Terço em família ou em grupo de amigos, unidos ao amado Papa Leão XIV para rezarmos pela paz no mundo e pelo fim das guerras! Sejamos construtores da paz!
Em um mundo marcado por guerras, divisões e inseguranças, esse gesto do Papa nos recorda algo essencial: a paz começa no coração humano, é dom de Deus e tarefa de todos. Como ensina Jesus: “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9).
Que essa vigília reacenda em toda a Igreja o desejo sincero de paz, fortaleça a nossa fé e nos comprometa concretamente com a construção de um mundo reconciliado. E que, unidos em oração, possamos fazer ecoar, com verdade, esse clamor que o Sumo Pontífice nos propõe: que brote do coração humano um autêntico grito de paz.
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A Campanha da Fraternidade foi reconhecida como patrimônio cultural e imaterial goiano, no último dia 4 de fevereiro de 2026, através da Lei Estadual nº 24.079, que foi sancionada pelo governador do estado de Goiás em exercício, Daniel Vilela. O projeto de lei foi apresentado pelo deputado estRead More
Realizada nas celebrações de Domingo de Ramos, a coleta é o gesto concreto da Campanha da Fraternidade, nascida com o objetivo de promover a fraternidade e sustentar a ação caritativa da Igreja no Brasil. O convite é transformar a prática da esmola quaresmal em ação concreta para a mudançaRead More
Inspirada pela Campanha da Fraternidade 2026, a iniciativa “Um real, um recomeço” surge como um gesto concreto de solidariedade para enfrentar a realidade da falta de moradia digna. A proposta busca mobilizar fiéis, comunidades de fé e instituições em torno da construção de 105 casas popuRead More
Em algumas realidades do Brasil, já é possível ver experiências inspiradoras de grupos que se empenham em ações para garantir um lar digno para viver e se desenvolver como pessoa e em família. O jornalista Daniel Gomes, do Jornal O São Paulo, da Arquidiocese de São Paulo, apresentou alguns Read More
A série Fraternidade em Ação 2026 apresenta o segundo vídeo e mostra o caminho da solidariedade desenvolvido com a população de Rua, em Belém do Pará, com o apoio de recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), oriundos da Coleta Nacional da Solidariedade 2025 da Campanha da FraternidaRead More
O projeto “Energia solar para a Evangelização e sustentabilidade na Amazônia” é um exemplo de integração das práticas evangelizadoras ao compromisso concreto com o cuidado com a Casa Comum. Foram instaladas placas de energia solar em sete barcos missionários das paróquias e áreas pastoraisRead More
Com a inspiração do tema “Fraternidade e Moradia”, o projeto “Cada paróquia, um mutirão por moradia” tem o objetivo de buscar viabilizar a solidariedade, diante do grave cenário no qual cerca de 26 milhões de famílias brasileiras vivem em moradias precárias ou inadequadasRead More
Um projeto apoiado pelo Fundo Nacional de Solidariedade, iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), vem promovendo impacto social e ambiental em Porto Alegre. Trata-se do “Iluminar para recuperar”, desenvolvido pela Pia União das Irmãs da Copiosa Redenção, na ComunidaRead More
Projeto da Obra Sagrados Corações de Jesus e Maria, da Comunidade Católica Shalom no Rio de Janeiro, buscou os recursos para a instalação de um sistema de energia solar na casa que realiza o acolhimento e cuidado integral de mulheres idosas em situação de vulnerabilidade social. Iniciativa Read More
Uma sessão solene realizada no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, homenageou a Campanha da Fraternidade 2026, que neste ano tem como tema “Fraternidade e Moradia”. O evento reuniu representantes da CNBB, pastorais sociais e movimentos populares para refletir sobre a crise habitacRead More
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