Artigos dos bispos

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Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)

 

No dia 3 de maio, celebramos os 400 anos da fundação da primeira redução jesuítico-guarani no Rio Grande do Sul. Desse marco histórico, floresceu um singular modelo de civilização, fruto da fecunda união entre os conhecimentos dos missionários jesuítas e a cultura do povo guarani.

Esse modelo de evangelização e organização social foi uma inovação proporcionada pela troca de saberes que ocorreu do encontro entre os missionários jesuítas e os povos indígenas. As reduções situadas no atual território do Rio Grande do Sul constituíram o derradeiro empreendimento desse projeto realizado pela Companhia de Jesus.

Dessa epopeia destacam-se alguns personagens que tornaram possível à Igreja e ao Rio Grande do Sul o privilégio de uma rica experiência de vivência do Evangelho e de virtuosa colaboração entre culturas. O primeiro a ser lembrado é o fundador da redução de São Nicolau, Padre Roque González de Santa Cruz. Nascido no Paraguai, dominava a língua guarani e, ao chegar a São Nicolau, já havia participado da fundação de reduções na Argentina e no Paraguai. O segundo foi o Padre Antonio Sepp von Rechegg, Jesuíta austríaco, nasceu no Tirol em 1655 e faleceu em San José (Misiones) em 1733. Destacou-se como músico, arquiteto, escultor, urbanista, pintor e escritor, tendo sido também administrador de diversas reduções jesuíticas. Além de sua contribuição para a música, a pintura e a arquitetura nas missões, é lembrado ainda como o fundador da siderurgia no Rio Grande do Sul. Um terceiro é Sepé Tiaraju, popularmente invocado como São Sepé Tiaraju. Nascido na redução de São Luiz Gonzaga em 1723, destacou-se como líder e guerreiro guarani. Sepé enfrentou os impérios espanhol e português, liderando a resistência contra o Tratado de Madrid. Por sua luta em defesa de seu povo e de sua terra, é lembrado como mártir da causa guarani.

Assim, neste ano, temos a oportunidade de revisitar as raízes culturais do nosso Estado e de refletir sobre a contribuição duradoura dos Sete Povos das Missões para a formação da nossa cultura e a vivência da nossa fé.

Dom Juarez Albino Destro, rcj
Bispo Auxiliar de Porto Alegre (RS)

 

A primeira mensagem do papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, a 60ª edição, alerta–nos para o cuidado que devemos ter pela preservação do ser humano, o zelo e a atenção ao nosso rosto e a nossa voz, que “são sagrados”. O Dia Mundial é celebrado no Domingo da Ascensão do Senhor, este ano em 17 de maio, e é precedido por uma Semana da Comunicação, onde iniciativas são realizadas em muitas comunidades, paróquias e dioceses de nosso imenso Brasil, também nos âmbitos Regional e Nacional.

Celebrar um dia durante o ano para favorecer a consciência da importância das Comunicações Sociais na ação evangelizadora da Igreja foi uma indicação do Concílio Vaticano II. Está no parágrafo 18 do Decreto Inter Mirifica, de 04/12/1966: “Para que se revigore o apostolado da Igreja em relação aos meios de comunicação social, celebre-se em todas as dioceses, a juízo do Bispo, um dia no decorrer de cada ano, no qual os fiéis sejam instruídos a respeito de suas obrigações nesta matéria, sejam convidados a rezar por esta causa e a dar esmolas para este fim, as quais serão cuidadosamente aplicadas conforme as necessidades do orbe católico, no sustento e incremento dos institutos e iniciativas promovidas pela Igreja”. Na primeira mensagem ao Dia Mundial, publicada no dia 1º de maio de 1966 e celebrada seis dias depois, em 7 de maio, há exatos 60 anos, São Paulo VI já dava um alerta: “Quanto maior o poder e a ambivalente eficácia dos Meios de Comunicação Social, tanto mais atento e responsável deve ser o seu uso”.

O Papa Francisco, em suas 12 mensagens (de 2014 a 2025), abordou diversos temas ligados à comunicação. Vale destacar uma frase em seu primeiro texto, no 48º Dia Mundial, que iria, de carta forma, definir todos os anos de seu ministério petrino, como ele mesmo afirmou quando lhe perguntaram, em 2023, qual palavra resumiria os 10 anos de pontificado. Aquela mensagem de 2014 trazia como tema: “Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro”. A frase marcante: “Quem comunica faz-se próximo”. E a resposta do Papa aos jornalistas: “Proximidade”. Eles tentaram questionar a resposta, perguntando-lhe se a palavra não seria “Misericórdia”, mas o saudoso Francisco simplesmente respondeu assim: “A proximidade conduz à misericórdia”. Vale destacar, ainda, as mensagens escritas no triênio 2021-2023, quando o Papa seguiu um itinerário de reflexão a partir de quatro verbos, obviamente na perspectiva da comunicação: ir e ver (2021); escutar (2022); falar (2023). Algumas frases destas três mensagens também se tornaram marcantes, como por exemplo: “Gastar a sola dos sapatos”; “Escutar com o ouvido do coração”; “Falar com o coração”. Em sua última mensagem, a do ano passado, sobre a “Esperança”, pois estávamos no contexto do Ano Jubilar, Francisco deu pistas para “cuidar do coração”. Uma delas afirmava assim: “Procurai praticar uma comunicação que saiba curar feridas da humanidade”!

O Papa Leão, na mensagem deste ano, aborda o grande desafio da “interferência” ou “invasão” da tecnologia digital na vida humana, nas relações, nos sistemas de informação. Ele recorda que “não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma vocação insubstituível e irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com os outros”. O uso da Inteligência Artificial (IA) para “simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, […] não só interferem nos ecossistemas informativos, como também invadem o nível mais profundo da comunicação, ou seja, o das relações entre as pessoas”. O desafio, portanto, mais que tecnológico, é antropológico: “Preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservarmo-nos a nós próprios”.

Os alertas que o Papa cita na mensagem são muito importantes, interligados entre si. Recorda, por exemplo, que o fato de estarmos conectados, navegando, buscando informações, curiosidades, entretenimentos, tem um preço. As plataformas utilizam-se de estratégias para ficarmos um bom tempo envolvidos nas redes sociais. Quanto mais tempo estivermos conectados, mais rentabilidade a elas, mais dados – nossos dados, preferências, interesses – estarão sendo catalogados. Em troca das “emoções rápidas”, deixamos nossos dados à disposição. E uma sutil consequência é começarmos a fazer parte de uma “bolha”, ou seja, as plataformas, que já conhecem as preferências de cada um, também ideológicas, passam a colocar nas vitrines de seus canais pessoais somente o que o atrai, evitando – para não dizer excluindo – outras tantas formas de ver o mundo. “Os algoritmos enfraquecem a capacidade de escuta e pensamento crítico, aumentando a polarização social”, afirma o papa.

Confiar, de forma ingênua, nos vários aplicativos de IA achando que podem solucionar todos os nossos problemas, acabará enfraquecendo nossa capacidade de pensar, de compreender significados, de distinguir entre sintaxe (construção de frases) e semântica (sentido, interpretação, significado no contexto). “Embora a IA possa dar apoio e assistência na gestão de tarefas comunicativas, ao nos abstermos do esforço do próprio pensamento, contentando-nos com uma compilação estatística artificial, corremos o risco de deteriorar, a longo prazo, as nossas capacidades cognitivas, emocionais e comunicativas”, alerta o papa. E acrescenta: “Renunciar ao processo criativo e entregar às máquinas as próprias funções mentais e a própria imaginação significa enterrar os talentos recebidos para crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros. Significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz”. É isso que queremos?

Muito cuidado devemos ter para discernir entre o que é simulação e o que é realidade. Um antropomorfismo está presente, ou seja, a imitação de algo humano, quando, na verdade, não é. “Pode até ser divertido”, afirma o papa, mas é enganador, especialmente às pessoas mais vulneráveis. “A tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode não só ter consequências dolorosas para o destino das pessoas, mas também prejudicar o tecido social, cultural e político das sociedades”. Substituir a relação humana pela relação com a IA é autorizar que “nos roubem a possibilidade de encontrar o outro, que é sempre diferente de nós e com o qual podemos e devemos aprender a nos confrontar. Sem aceitar a alteridade, não pode haver nem relação nem amizade”. Isso é um perigo!

E sobre as distorções da realidade? Assim alertou o Papa na mensagem: “Os modelos de IA estão moldados pela visão de mundo de quem os constrói e podem, por sua vez, impor modos de pensar, replicando estereótipos e preconceitos presentes nos dados”. Isso poderá manipular os nossos pensamentos. “O poder de simulação é tal que a IA pode nos iludir com a construção de realidades paralelas, apropriando-se dos nossos rostos e das nossas vozes”. Está cada vez mais difícil distinguir a realidade da ficção, afirma o papa. Além, disso, há o problema da “falta de precisão”, pois os sistemas podem induzir o pesquisador a uma certeza quando, na verdade, é uma “probabilidade estatística” ou “aproximação da verdade”. Verificar as fontes é essencial. “A crise do jornalismo de campo, que implica um trabalho contínuo de busca e verificação de informações nos locais onde os eventos ocorrem, pode favorecer um solo ainda mais fértil para a desinformação, provocando uma crescente sensação de desconfiança, desorientação e insegurança”, alerta Leão XIV.

Por fim, um último alerta do Papa na mensagem: as poucas empresas no “controle dos sistemas algorítmicos e de IA capazes de orientar sutilmente os comportamentos e até mesmo de reescrever a história da humanidade – incluindo a história da Igreja –, muitas vezes sem que possamos ter real consciência disso”. Isso é muito preocupante!

E para nos orientar nesse contexto de inovação digital, Leão XIV propõe uma aliança, baseada em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação. No primeiro pilar estão a honestidade, a transparência, a coragem, a visão, o dever de partilhar conhecimento e o direito de ser informado. E todos devem estar cientes de suas responsabilidades, desde aqueles que comandam as plataformas, os criadores e desenvolvedores de modelos de IA, os legisladores, até as empresas de comunicação. “Conteúdos gerados ou manipulados pela IA devem ser sinalizados e claramente distinguidos dos conteúdos criados por pessoas. A autoria e a propriedade soberana do trabalho dos jornalistas e outros criadores de conteúdo devem ser protegidas. A informação é um bem público. Um serviço público construtivo e significativo não se baseia na opacidade, mas na transparência das fontes, na inclusão dos sujeitos envolvidos e num elevado padrão de qualidade”, afirma o papa.

O segundo pilar, cooperação, evidencia que “nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de liderar a inovação digital e governar a IA. É necessário criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes interessadas devem estar envolvidas na construção e na efetivação de uma cidadania digital consciente e responsável”. A cooperação, portanto, vai “da indústria tecnológica aos legisladores, das empresas de criação ao mundo acadêmico, dos artistas aos jornalistas e educadores”, observa Leão XIV.

A Educação completa os pilares da aliança a que somos chamados, em vista da preservação do ser humano nesse contexto de inovação digital. Afirma o papa: “Assim como a revolução industrial exigiu uma alfabetização mínima para permitir que as pessoas reagissem às novidades, também a revolução digital exige uma literacia digital (com uma formação humanística e cultural) para compreender como os algoritmos moldam a nossa percepção da realidade, como funcionam os preconceitos da IA, quais são os mecanismos que determinam o aparecimento de determinados conteúdos nos nossos fluxos de informação (feeds), quais são e como podem mudar os pressupostos e modelos econômicos da economia da IA” (grifo nosso). Neste pilar, “podemos e devemos dar a nossa contribuição para que as pessoas adquiram a capacidade de pensamento crítico e cresçam na liberdade do espírito”.

Sentimo-nos responsáveis? Estamos dispostos a cooperar, aprofundar o tema e ajudar na educação?

 

 

Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo de Santa Maria (RS)
Presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB

 

A imagem escolhida pelas Diretrizes para falar da Igreja é simples e profundamente significativa: uma tenda. Não um palácio, nem uma fortaleza, mas uma tenda. E isso muda completamente o modo de compreender a vida da Igreja.

A tenda é leve, móvel, aberta. Ela não se fecha em si mesma, mas acompanha o caminho. É sinal de um povo que não está instalado, mas em marcha. Assim é a Igreja: não uma realidade estática, mas um povo peregrino que caminha na história, atento aos sinais de Deus.

No Antigo Testamento, a tenda era o lugar do encontro com Deus no meio do deserto. Era ali que o Senhor se fazia próximo, não em um espaço fixo e distante, mas no coração da caminhada do povo. Essa imagem retorna com força no Novo Testamento, quando o Evangelho de João afirma que o Verbo “armou sua tenda entre nós” (Jo 1,14). Em Jesus, Deus não apenas visita a humanidade — Ele vem habitar no meio dela.

Isso tem consequências profundas para a vida da Igreja. Se Deus arma sua tenda entre nós, a Igreja também é chamada a ser lugar de encontro, não de exclusão; espaço de acolhida, não de julgamento; abrigo para quem busca, não barreira para quem chega.

As Diretrizes vão ainda mais longe ao afirmar que essa tenda precisa ser alargada. Não basta manter o que já existe; é preciso abrir espaço. E isso exige conversão. Alargar a tenda significa ampliar a escuta, acolher novas realidades e reconhecer dores e esperanças que, muitas vezes, passam despercebidas.

Vivemos em um mundo marcado por muitas “tendas frágeis”: refugiados, pessoas em situação de rua, famílias feridas, jovens sem propósito, pobres esquecidos. Nessas realidades, Deus continua passando. E a Igreja é chamada a entrar nessas tendas — não de longe, mas por dentro —, levando a presença de Cristo.

Aqui está um ponto decisivo: a Igreja não é apenas um lugar onde as pessoas vêm; ela é uma presença que vai. Sai de si mesma para encontrar, acolher e cuidar. Torna-se, como dizem as Diretrizes, um verdadeiro “hospital de campanha”, onde as feridas são tratadas com misericórdia. Mas essa abertura não significa perder a identidade. A tenda é sustentada por estacas firmes: fé, esperança e caridade. Sem essas bases, tudo se torna instável. A Igreja se abre ao mundo, mas permanece enraizada em Cristo.

No fundo, a imagem da tenda nos recorda algo essencial: a Igreja não é dona de Deus, mas sinal de sua presença. Ela existe para favorecer o encontro entre Deus e as pessoas. Diante disso, cada comunidade é chamada a se perguntar: somos uma tenda aberta ou um espaço fechado? Acolhemos ou selecionamos? Escutamos ou apenas falamos?

Quando a Igreja se torna verdadeiramente tenda do encontro, algo novo acontece: as pessoas encontram não apenas uma instituição, mas uma presença. E, através dela, encontram o próprio Cristo.