No século 13 o bem aventurado Tiago de Vorágine, dominicano e bispo de Gênova, escreveu uma obra chamada Legenda Áurea, ou Legenda dourada. A palavra latina “legenda” significa “coisas que devem ser lidas”, ou alguma coisa que é objeto de leitura. A Legenda é a explicação dos ofícios celebrados durante o ano litúrgico. Um capítulo da obra é dedicado à conversão do Apóstolo São Paulo.
Ano Paulino
“De Éfeso, a primeira carta aos Coríntios” (2)
Além das divisões, a comunidade de Corinto teve que enfrentar dificuldades de diversos tipos. Não foi fácil para Paulo administrar todos os problemas de Corinto, mas ele tentou e enfrentou assunto por assunto procurando sempre a melhor solução. É assim que ele vai fazendo a sua teologia, a partir das questões da vida. Paulo não é um teórico que escreve raciocinando sobre dados abstratos. Ele lê a vida, e a partir das interrogações da existência humana e eclesial vai elaborando o seu pensamento.
“Uma carta a Timóteo”
Paulo estava preso em Roma quando escreveu a Timóteo. Foi sua última carta em sua última prisão. Paulo foi a Roma foi por causa da perseguição de Nero. O imperador incendiou a cidade e lançou a culpa sobre os cristãos. Bastava ser identificado como cristão para ser condenado. Não foi fácil para a comunidade de Roma. Paulo foi até lá para se solidarizar com os irmãos perseguidos, mas acabou também sendo preso. A comunidade de Roma não o acompanhou nem no julgamento nem na prisão para não se expor. Paulo se sentiu meio abandonado, mas compreende-se que os irmãos de Roma não estavam querendo propaganda e evidência naqueles dias. Ele podia receber visitas e podia escrever cartas antes da condenação à morte. O julgamento final ainda não tinha sido feito. O único, porém, que o visitou foi Onesíforo, de Éfeso, que se esforçou para encontrá-lo numa cidade populosa em reconstrução, com ruas sem nome e casas sem número.
“De Éfeso, a primeira carta aos Coríntios” (1)
A comunidade de Corinto estava dividida. Havia grupos que se formavam em torno de certas personalidades e uma tendência espiritualizante em certos membros da comunidade. Além disso, os coríntios tinham perguntas concretas que gostariam de esclarecer a respeito do casamento e da virgindade, das carnes sacrificadas aos ídolos, da participação na Ceia do Senhor, dos dons do Espírito, da ressurreição dos mortos. Sobre esses assuntos Paulo escreve a sua carta aos coríntios, que não foi a primeira. Antes da carta que temos na Bíblia com o nome de Primeira aos Coríntios, ele escreveu uma que se perdeu. Há uma referência a essa carta em 1Co 5,9. É chamada de Carta pré-canônica.
“De Éfeso, a segunda carta aos Coríntios”
Paulo escreveu com certeza cinco cartas aos coríntios. A primeira, mencionada em 1Co 5,9, é chamada de “pré-canônica” e se perdeu. Vem depois a Primeira Carta aos Coríntios, como está na Bíblia. Uma outra, chamada de “dolorosa” também se perdeu e é mencionada em 2Co 2,4. Temos ainda a Segunda Carta aos Coríntios, que está na Bíblia, e é a junção de duas cartas, 2Co 1-9 e 2Co 10-13.
“De Corinto, a carta aos Romanos”
De Éfeso, Paulo vai para Trôade onde espera encontrar-se com Tito, o que não acontece. Segue então viagem para Filipos, continuando em direção à Tessalônica. Encontra Tito em algum lugar da Macedônia onde passa o inverno. Tito vinha de Corinto e trazia notícias para Paulo. A Segunda Carta aos Coríntios, 1-9, deve ter sido escrita desse lugar e não de Éfeso, de onde Paulo já tinha saído. A viagem missionária continua e ele adentra o território ainda não visitado da Ilíria. É de lá que ele escreve a 2Co 10-13. O vigor da juventude, porém, já estava passando e os seus 60 anos deviam pesar. Assim mesmo Paulo quer chegar aos confins da terra. Seus olhos estão voltados para a Espanha. Sai da Ilíria e vai para Corinto para uma visita prometida e esperada.
“O Diário de Viagem (1)”
O Livro dos Atos dos Apóstolos relata os acontecimentos do início da Igreja, sobretudo em torno de Pedro e de Paulo. Ao falar de Paulo, o autor vai contando o que aconteceu com o Apóstolo usando a terceira pessoa. No entanto, de vez em quando, em vez da terceira pessoa “ele” ou “eles”, ele usa a primeira do plural “nós”. O autor já não diz o que aconteceu com os outros e passa a narrar o que aconteceu “conosco”. “Estávamos reunidos”, ou “nós embarcamos”, “saímos”, “viajamos”, etc. Isto significa que ele participou do que está sendo contado. Chamamos esses textos de “passagens nós”. Na realidade, elas fazem parte de um diário de bordo ou de viagem que alguém escreveu e que se encontra espalhado nos Atos dos Apóstolos. Um companheiro de Paulo, provavelmente Silas, relatou os acontecimentos das etapas marítimas das viagens. Originariamente era um relato continuo e unificado e correspondia às informações de Paulo nas cartas. Sabemos que ele queria ir à Macedônia e à Acaia para recolher o resultado da coleta e levá-la a Jerusalém, para depois ir a Roma e chegar até a Espanha. O Diário de Viagem relata essa viagem, e teria sido escrito da seguinte forma:
“O Diário de Viagem (2)”
Em Mileto, Paulo mandou algumas pessoas a Éfeso para chamarem os Anciãos da Igreja. Quando chegaram, ele lhes disse: “Vocês sabem como me comportei desde o primeiro dia em que pus os pés na Ásia, enquanto enfrentei dificuldades por causa dos complôs dos judeus (At 20,17-19b). Agora, acorrentado pelo Espírito, vou a Jerusalém, sem saber o que acontecerá (20,22). Até o dia de hoje sou inocente do sangue de todos. Não deixei de anunciar toda a vontade de Deus. Cuidem de vocês e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os estabeleceu como guardiães, para apascentar a Igreja do Senhor que ele adquiriu para si por seu próprio sangue” (20,26-28) Tendo dito isso, ajoelhou-se e rezou com todos eles (20,36).
A conversão de São Paulo
São Paulo é uma fonte inesgotável de espiritualidade, não só para os cristãos, mas para toda a humanidade. Mesmo dois mil anos depois do seu nascimento, sua personalidade nos inspira.
Um encontro transformador
Se há algo que salta aos olhos do leitor dos Atos dos Apóstolos é a conversão de Paulo. A repetição do relato, que aparece três vezes (cf. At 9,1-22; 22,1-21; 26,9-18), e a extensão do texto falam muito. Esses detalhes não são de somenos importância. A estrutura do texto aponta certamente para a estrutura teológica e, num tempo em que escrever era arte cara e trabalhosa, a insistência de Lucas acerca da conversão do Fariseu de Tarso só pode indicar algo de grande.
Paulo, apóstolo caído no caminho de Damasco, perseverante em fazer o Caminho!
A abertura solene do Ano Paulino, na Basílica de Paulo fora dos Muros em Roma, realizada pelo Papa Bento XVI em junho de 2008 com os representantes das Igrejas Cristãs, nos indica pistas a trilhar em nossas ações evangelizadoras, especialmente neste Ano Nacional Catequético.
“O vosso corpo é templo do Espírito Santo” (1Cor 6,19)
Resumo: Proponho-me a refletir sobre alguns aspectos da sexualidade humana a partir do testemunho Paulino. A carne, sarx, assumida na encarnação, além de ser a exaltação do humano é, também, sua possibilidade de autotranscendência na força do Espírito Santo. É nesta perspectiva que analiso a contribuição de Paulo para a sexualidade hoje.
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