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Decepcionar

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Dom José Alberto Moura  
Arcebispo de Montes Claros

É muito ruim nos decepcionarmos com quem tínhamos plena confiança. É como cair das nuvens. É evidente que devemos  e podemos confiar nas pessoas, mas com a relatividade própria de sabermos que todo ser humano, por melhor seja, está sujeito a erro e limites, mesmo não conscientes ou realizados sem vontade de errar ou enganar. Quando, no entanto, colocamos nossa confiança absoluta naquele que não nos engana e não está sujeito ao erro, mesmo inconsciente, temos a garantia total de que  não nos decepcionamos com ele. Só Deus nos dá essa garantia absoluta.

Mas temos, às vezes, o embaraço de pessoas que acham Deus também falível, pois, não lhes dá solução imediata para seus problemas. Criticam-No por isso e transferem a Ele os limites de si mesmos. Bem que Deus lhes dá vida, inteligência, possibilidade de busca de orientação, de uso de meios para coordenar seu ser e agir em vista de solução progressiva de seus problemas. Milagre, de fato, Deus pode fazer e faz, mas quando isso é para o bem duradouro da pessoa humana. Uma criança que pedisse uma faca a seus pais poderia não recebê-la nessa fase da infância ou num determinado momento da vida. Deus, porém, sendo providente, sempre responde na vida humana, aos anseios humanos a seu tempo devido. A pessoa de fé sabe entender isso e confiar.

O profeta Jeremias lembra a “decepção divina” em relação aos maus pastores do povo, que deveriam governar para vantagem e proteção das ovelhas e não o fazem. Deus vai suscitar novos pastores para exercerem sua missão adequada ao bom serviço à causa comum (Cf. Jeremias 23,1-6). Terão a proteção de Deus. Maus pastores não têm o aval do Criador. Como é bom todos colaborarmos com o projeto de Deus! Tomara Ele não se decepcione conosco. Somos corresponsáveis por colocarmos líderes serviçais do povo com os critérios exigidos para tanto: pessoa que tem grandeza de caráter, ideal de servir, capacidade de governar ou legislar bem, comprometimento com a causa da sociedade, visão de justiça e cidadania, sensibilidade em relação às prioridades dos serviços à comunidade, como educação, saúde, segurança, trabalho, meio ambiente, priorização às necessidades maiores dos mais deixados de lado socialmente, na cidade e no campo...

Aprendemos a ser mais coerentes no exemplo de vida e no enunciado da mesma, quando procuramos nos recolher com o Mestre para examinarmos com Ele a relação de nossa vida com a vontade de Deus. Jesus muitas vezes se recolhia em oração a sós com o Pai e às vezes chamava os discípulos a uma convivência recolhida com Ele: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco” (Marcos 6,31). De fato, precisamos refletir, analisar nossa vida e nossas ações, confrontando-as com a Palavra de Deus para avaliarmos e revermos nossas atitudes e nossa missão. Dessa forma, seremos sempre mais pessoas confiáveis.

Seguir o Mestre nos leva a sermos pessoas confiáveis. Quanto menos motivo de decepção dermos aos outros, mais temos condição de realizar nossa vida para servir, amar, promover o bem e nos realizarmos como pessoas humanas.  Não somos perfeitos e sim sujeitos a erros, mas os outros vêem nosso esforço para sermos coerentes com nossa missão e o ideal buscado para amar e servir.

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