Dom Aldo Pagotto
Arcebispo da Paraíba
O Censo 2010 revelou os dados sobre a filiação religiosa no Brasil. Na Paraíba houve esvaziamento significativo de fiéis católicos. De 2000 para 2010 decrescemos 0,9%, ou seja, 25.498 fiéis. Os evangélicos cresceram 88,3%, passando de 303.151 para 571.015 fiéis. Os que não se identificam com denominações religiosas de 177.303 passam para 213.214. Não abandonaram a fé, mas a expressam no seu modo de ser e de agir. O desafio para a Igreja é transmitir a fé cristã às pessoas desorientadas. A mudança de época leva a muitas transformações que resultam na insegurança sobre o sentido da vida. Muitas não vivenciaram valores referenciais na família, como ensina a Igreja. Outras desconhecem a fé. A sociedade de consumo e suas culturas não se importam minimamente com os valores do Evangelho. A fé é relegada à esfera de cada indivíduo, sem incidir nas estruturas das famílias e da sociedade. Basta a realização pessoal e a felicidade de possuir coisas materiais. A interpretação da fé como elemento de transformação social foi assumida por setores da Igreja, preocupada com a justiça e inclusão dos pobres. O Evangelho comporta a inclusão e a justiça social, a partir da fé, não de uma ideologia, sobretudo a marxista, portadora de conflitos e de luta de classes.
Há lideranças políticas surgidas de comunidades atuantes no campo social. Outras se distanciaram dos valores éticos do Evangelho de Jesus. Independentemente de denominações, todos nos ocupamos com a sobrevivência da família, mantendo a fé. Alguns cristãos se fazem presentes em locais, ambientes onde se sentem representantes da comunidade. As denominações evangélicas chegaram antes dos católicos, visitando as pessoas das classes C, D e E, criando laços afetivos e elos de compromisso para conhecer melhor o Evangelho de Jesus. A metodologia foi eficaz pelos resultados, acrescidos do acompanhamento em escolas bíblicas e programações radiofônicas.
A pertença religiosa por tradição familiar tende a desaparecer. O povo possui sentimentos superficiais de fé. É indispensável evangelizar as famílias, visitar as casas, acompanhá-las na fé, convidá-las para participar de atividades eclesiais e serviços voluntários de promoção humana. Ou nós, católicos, avaliamos os indicativos da qualidade de nossa ação evangelizadora, revisando a organização e a metodologia com que agimos, ou perderemos fiéis. É sintomático admitir que, após a Eucaristia (primeira comunhão) de crianças, Crisma de adolescentes e cursinhos de preparação para o Matrimônio, a perseverança na militância cristã é mínima e os enlaces matrimoniais cedem à separação por motivos fúteis. E aí, os filhos?










