O dia 1º de dezembro conclama-nos a permanente mobilização pelo enfrentamento e superação do terrível mal do “HIV/AIDS” que vitima milhares de pessoas em todo o mundo. Através de convênios com a Cáritas, a Arquidiocese da Paraíba dedica-se em regime de voluntariado às pessoas portadoras do vírus “HIV”, mantendo um centro de apoio. Lá, passam algumas horas do dia, recebem orientações e instruções práticas variadas em forma criativa, em dinâmicas de relacionamento.
A Casa da Convivência Positiva não é um centro de internação, mas desenvolve trabalhos de prevenção e apoio solidário aos portadores. Centraliza-se no viés humanitário e na espiritualidade cristã. Não basta passar informações indispensáveis. Os portadores precisam criar vínculos de amizade e respeito, elemento inseparável do tratamento junto aos que convivem permanentemente com o que lhes ameaça a vida.
A Igreja se faz parceira aproximando-se de tantas iniciativas solidárias no acompanhamento às pessoas portadoras, inspirando-se na compaixão e misericórdia divina. Seu apelo destina-se além das informações à formação da personalidade das pessoas em estado de extrema fragilidade. Nossa preocupação não pode ser reduzida ou limitada à instrução sobre os métodos preventivos ou anti-conceptivos. Faz-se necessária a promoção permanente de políticas de educação afetiva e sexual, respeitando os critérios éticos e oferecendo um acompanhamento adequado aos portadores.
Além dos aspectos científicos sem dúvida abordados, nossas atividades baseiam-se nos valores morais. O grande critério é o amor de Deus. Esse valor oferece maior suporte para a convivência fraterna, fomentada freqüentemente nas jornadas da casa. A experiência do amor respeitoso que acolhe, aconchega e congrega é levado para junto do seio familiar do portador. O acolhimento recíproco é indispensável, bem como o acolhimento familiar, sem dúvida.
O pedido insistente dos portadores e dos familiares é a disponibilidade de ao menos algumas vagas de UTI’s no Clementino Fraga. O drama da luta pela vida torna-se ainda mais patético pela falta de disponibilidade dessa unidade hospitalar, de necessidade urgentíssima e inadiável. O que comentar sobre o sofrimento por se ver relegado, desprezado, abandonados à espera do êxito final? Nas horas mais cruciais não podem prevalecer sentimentos e gestos de rejeição e discriminação.
Cabe a todos nós a responsabilidade de educar as novas gerações para o controle e superação dessa pandemia. Os dados divulgados pela Unaids 2005 bateram o recorde em novos casos de infecção, ultrapassando os 5 milhões. Isso significa que, a cada dia, mais de 13 mil pessoas contraíram o vírus! Os anti-retrovirais têm evitado mortes e melhorado significativamente a vida dos portadores. Porém, dentre as camadas mais pobres dos municípios da Paraíba e de outros Estados, cresce consideravelmente os infectados, incluindo homens e mulheres na faixa dos 60 anos! O que significa isso?!










