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Sétimo mandamento: não roubar

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Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

O Brasil está assistindo ao julgamento do “mensalão” pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Depois de vários anos de denúncias, investigações e processos políticos no Congresso Nacional, agora chegou a vez de a Suprema Corte do País se pronunciar: se houve crimes qualificados pelo Código Penal e se haverá condenação ou absolvição dos indiciados no processo. O Brasil espera que este julgamento seja exemplar e constitua uma virada de página na história de corrupções e desonestidades no uso do poder político.

A corrupção é uma das maiores manchas da política nacional. Não é inevitável que o poder corrompa, como afirma o ditado popular. O poder legitimamente conferido é, por natureza, um serviço ao bem comum; mas a tentação do mau uso do poder, em função de vantagens ilícitas e até claramente desonestas e lesivas do bem comum, pode ser muito forte. Por isso, requer-se honestidade e retidão de caráter de quem está investido de poder em qualquer instância. E à sociedade cabe vigilância e controle permanente sobre o poder.

O problema da corrupção, porém, não se restringe às altas ou baixas esferas do poder público; a tentação ronda igualmente o cidadão comum, nas suas relações sociais e até familiares. De fato, o desrespeito ao bem alheio, o roubo, a desonestidade nas relações sociais estão presentes por toda parte; com muita freqüência, o roubo vem acompanhado de ações violentas e até de assassinatos; assaltos à mão armada e seqüestros criam um clima de medo e insegurança, terrorizam muitas pessoas, que recorrem a todo tipo de expedientes para se proteger e defender.

Resolveria fazer mais leis, tornar as penas mais rígidas, construir mais cadeias? Certamente, as autoridades competentes precisam agir de maneira adequada para dar segurança à população; porém, nenhuma lei escrita será suficiente e eficaz, se não houver a percepção clara e o respeito da lei moral, que está inscrita na consciência: não roubarás. A corrupção em escala política ou nas relações sociais e inter-pessoais, de fato, tem suas origens na corrupção da consciência moral e do caráter das pessoas. Corrupção equivale a deterioração, que também é qualificada como podridão. Aquilo que está corrompido perde qualidade e tende a se desintegrar. Geralmente, a corrupção da consciência moral não se expressa apenas em algum comportamento desonesto isolado, mas numa série de atos e atitudes desaprováveis. A corrupção da consciência moral é um fato muito grave, cujas  conseqüências são as desonestidades, a dissolução dos costumes, a perda de qualidade nos comportamentos e nas relações humanas e da própria dignidade.

Eis, então, que é mais que oportuno recordar o sétimo mandamento da Lei de Deus: “não roubar”: simples, claro, sem rodeios, eis o que é moralmente bom. Assim o percebe a consciência, mesmo sem grande necessidade de formação. Não daria para afirmar que o contrário é moralmente bom. Roubar não é bom, não é um bem moral. Nem quando daí decorrem vantagens. A vantagem e a utilidade não são critérios que qualificam os atos como moralmente bons; infelizmente, este é um equívoco freqüente.

Temos urgente necessidade de formar a consciência moral pela educação, em todos os momentos da vida; a formação da consciência moral começa na infância e para isso contribuem muito os exemplos dos adultos. É necessário educar o caráter, para que seja reto e forte e não se deixe levar pela tentação! E isso vale para todos.

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