Santo Amaro: caminho de Cruz, de compaixão e de paz

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos, RJ 

A festa de Santo Amaro na baixada campista está associada singularmente ao caminho de 39 km, que sai da Catedral Santíssimo Salvador até a Igreja Santuário de Santo Amaro. Esta peregrinação de fé quer de certa forma reproduzir o Caminho de Santo Amaro no ano de 543, quando saiu de Subiaco até o Mosteiro de Glanfeuil, na França, onde foi Abade por mais de 40 anos.

A solicitação de Dom Bertigramus Bispo Diocesano de Le Mans através da representação do Vizconde de Harderade e de Flodegari, de ser erigido um mosteiro contemplativo a São Bento levou a decisão de enviar a Santo Amaro mais quatro monges: Simplicio, Antônio, Constantino e Fausto. Este itinerário de centenas de kilometros com a travessia dos Alpes tornou-se uma verdadeira jornada espiritual, no qual Santo Amaro de discípulo, se tornou Mestre, Abade e homem de Deus. Este caminho se caraterizou por três marcas profundamente cristãs: a cruz, a compaixão e a paz.

A cruz porque no mosteiro de Euchelia (primeira parada) os monges Honorato e Felicíssimo lhe entregaram um relicário de marfim contendo três fragmentos da verdadeira Cruz, e relíquias de Santo Estevão e São Martinho. A Cruz iluminou a viagem iniciada na Quaresma, com um sentido penitencial e missionário. A compaixão verificada em quatro grandes milagres e abundantes graças aos que recebiam a Santo Amaro.

Curou ao Visconde de Harderade de uma lesão que ia amputar seu braço, a Sergiu restabeleceu o pé literalmente esmagado, a Linus na Igreja de Agaune restituiu a vista e finalmente, curou a Alagos uma criança filho de uma viúva que agradecida o chamou de homem de Deus. A Paz porque transformou ao rei Theodebert e a numerosos nobres em servidores de Cristo e dos pobres, e porque o mosteiro de Glanfeuil como toda casa beneditina irradiou a paz levando a harmonia e reconciliação com Deus, as pessoas e os bens materiais.

Estes três sinais do caminho de Santo Amaro nos convidam como afirma o Papa Francisco, na 50ª mensagem para o dia mundial da paz, a trilhar também a não viloência compassiva como estilo de uma política de paz, que consiga consensos éticos e um projeto de cidadania ancorado nos valores cristãos. Neste Ano Nacional Mariano, descobrimos em Nossa Mãe Aparecida, nos trezentos anos do achado de sua imagem, a mesma fidelidade a Cruz como correndetora, a ternura e compaixão misericordiosa e o rio de paz que brota do seu Imaculado Coração. Deus seja louvado!