Romaria recorda crianças assassinadas na diocese de Marabá

Neste ano, evento chegou à 34ª edição

A diocese de Marabá (PA), no dia 17 de setembro, fez memória de Elizabete e Elineuza, crianças assassinadas de forma bárbara na década de 1980 em Goianésia do Pará (PA), cidade que faz parte da circunscrição eclesiástica. O evento, chamado “Romaria da Libertação”, reuniu participantes de diferentes lugares que seguiram em carros, caminhões, motos, ônibus, vãs, e, sobretudo, a pé por alguns dias até o local onde as crianças foram mortas e ali perto foi celebrada a missa. “O sangue dessas crianças clama justiça e fraternidade”, afirma o bispo local, dom Vital Corbellini. 

“O povo de Deus tem uma grande veneração por aquelas crianças, pela simbologia que foi enaltecida, e pela necessidade de lutar pela vida, porque a morte não fala mais alto que o dom da existência que vem de Deus”, reflete dom Vital. Ele explica que Jesus Cristo continua na vida das pessoas que amam a verdade, a proclamam aos outros e procuram uma vida carregada de amor, de caridade. “Aquele sangue derramado clama vida em Jesus Cristo”, completa.

Dom Vital indica semelhança com o martírio dos primeiros séculos, a partir do que dizia Tertuliano, padre da Igreja do século III. “‘O sangue dos mártires é semente de novos cristãos’. Hoje somos chamados a viver o martírio cotidiano na luta pelo bem, pela terra dada a todos, pelo amor aos necessitados e aos pobres”, disse o bispo.

Uma parte dos fiéis que participou da romaria seguia caminhando pela madrugada a pé. “O povo caminhante é simples, proveniente da cidade ou do interior”, descreve dom Vital. O Jubileu Extraordinário da Misericórdia foi lembrado no evento, que teve uma missa presidida pelo bispo diocesano e concelebrada pelo clero da região. “Estivemos unidos à liturgia dos santos inocentes, crianças mortas pela perseguição de Herodes diante da vinda do Messias, Jesus Cristo. As duas crianças estão unidas aos santos inocentes que testemunharam o amor do Senhor na inocência”, afirmou o bispo.

“Destacamos a importância de trabalhar pela vida e não pela morte em todos os setores e âmbitos da vida humana familiar, comunitária e social. O testemunho de vida dado a Cristo pelo derramamento de sangue ainda que não fosse pelos lábios, dá sentido à uma vida de doação, de amor ao Senhor Jesus, à Igreja e ao Reino”, finalizou o bispo.