Umuarama sedia Seminário de Mudanças Climáticas e Justiça Social

Entre as propostas do evento estão vigília ecumênica, grupos de articulação e criação de Fórum Regional Climático

A cidade de Umuarama, no Paraná, sediou no último fim de semana, o Seminário de Mudanças Climáticas e Justiça Social, na paróquia Catedral do Divino Espírito Santo. Dezenas de pessoas, incluindo ambientalistas, cientistas, agentes de pastoral, participaram dos dois dias do evento. 

Na ocasião foram feitos debates a fim de trazer soluções práticas para a preservação do meio ambiente em toda cidade e região. De acordo com os participantes, o primeiro encaminhamento a ser seguido no próximo ano é a realização de uma vigília ecumênica pelos impactados climáticos.  “Vamos orar com essas pessoas e por essas pessoas. Além disso, todos vamos nos engajar e promover isso juntos”, explicou Nicole Figueiredo de Oliveira, coordenadora da 350.org na América Latina.

Os outros dois encaminhamentos feitos durante o seminário foram a criação de grupos de articulação e formação, que objetivam tencionar o poder público para que aprovem a proibição da aplicação do fracking em toda região (Umuarama já está aprovada a proibição) e a criação de um Fórum Regional Climático para discutir e implementar práticas de energias limpas.

Para o bispo de Umuarama, dom João Mamede, toda a sociedade tem o dever de zelar pelo meio ambiente. “O papa Francisco nos deixa uma mensagem muito bonita, porém em tom de alerta na encíclica Laudato Si (Louvado Seja). Francisco nos convida a uma conversão ecológica, ou seja, é dever de todo cristão, de todo católico, zelar pela casa comum, que é o nosso planeta. No Brasil, a Campanha da Fraternidade da CNBB - do ano que vem - também vai discutir a questão ambiental, então todos os nossos diocesanos e todo nosso povo é chamado a ouvir e agir em face das mudanças climáticas”, ressaltou.

O professor Ivo Poletto, assessor nacional do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, destacou a tomada de consciência por meio do debate sobre o Meio Ambiente. “Eu pude sentir como cresceu a consciência das pessoas em relação ao fracking, mas, além disso, nesse fim de semana nós trabalhamos uma visão mais ampla, tentando compreender melhor tudo o que está acontecendo no nosso planeta, sobretudo o uso de combustíveis fósseis para produzir energia. E o seminário nos desafia a mudar nosso jeito de agir e o nosso jeito de ser”, salientou. 

O presidente da Cáritas Paraná, Reginaldo Urbano Argentino, que é membro da diocese de Umuarama e organizador do evento, falou sobre a interação dos diferentes saberes durante o seminário. “Temos professores, ambientalistas, agentes de pastorais, religiosos, enfim, todas as pessoas envolvidas na questão ambiental e, portanto, quero agradecer a disponibilidade e a preocupação que demonstraram. Agora precisamos dar andamento nas questões práticas”, disse.

Outro palestrante do evento foi o fundador da Coesus – Coalização Não Fracking Brasil, o engenheiro Juliano Bueno de Araújo, que falou da importância da atuação da Igreja Católica no fomento ao debate acerca das mudanças climáticas. “Estar aqui com o povo de Deus é uma alegria, pois estamos todos com o sentimento de cuidado com a casa comum e com a necessidade deste diálogo. Todos precisam fazer ações individuais, ações coletivas, para que possamos estabelecer a condição da vida como ponto principal. Nosso Senhor Jesus já há dois mil anos nos disse: é a necessidade do caminhar e de agir”, disse.

Com informações e fotos da diocese de Umuarama