Repam inicia ciclo de seminários sobre a encíclica Laudato Si’

Encontro ocorreu em Cuiabá

Cerca de cem representantes das dioceses e prelazias do regional Oeste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participaram do primeiro seminário promovido pelo Comitê Nacional Ampliado da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam). O objetivo do evento, ocorrido entre os dias 17 e 19 de junho, em Cuiabá (MT), foi refletir a respeito da encíclica do papa Francisco, Laudato Sí – sobre o cuidado da Casa Comum”. 

Participaram do evento representantes de pastorais, organismos, movimentos e serviços, indígenas, quilombolas e ribeirinhos, membros da sociedade civil organizada, do Poder Legislativo do Estado do Mato Grosso, das universidades, seminaristas, religiosos (as), presbíteros do regional. A coordenação ficou a cargo da  assessora da Comissão Episcopal para a Amazônia, irmã Irene.

Na abertura, o arcebispo de Cuiabá (MT), dom Milton Antônio dos Santos, acolheu os participantes e falou sobre a relação de comunhão com a natureza a partir da ecologia integral. O bispo de Juína (MT) e presidente do regional, dom Neri Tondello, disse que a Rede Eclesial Pan-Amazônica precisa ajudar a levantar as grandes questões que envolvem o processo de desenvolvimento. “Qual o alcance e quem são as vítimas do processo de desenvolvimento hoje vigente? Precisamos ouvir o clamor dos povos amazônicos. Agronegócios, hidrelétricas, garimpos e outros desafios... faltam pessoas preparadas para enfrentar tudo isso. Que a Repam nos ajude nesse caminho”, falou dom Neri. 

O seminário contou com a presença do arcebispo emérito de São Paulo e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, cardeal Cláudio Hummes. “Que daqui nasça algo novo. Que os frutos sejam sentidos nas bases, nas dioceses, incentivando coisas novas (...).  Não é para ficar apenas no papel”, desejou dom Cláudio. 

Ao falar sobre o papel da Repam, cardeal Cláudio Hummes lembrou que o papa Francisco ficou muito feliz com a fundação da Rede. De acordo com o arcebispo, sempre que encontra o papa, ele quer saber sobre a Amazônia. “Com certeza ele gostaria de estar aqui olhando para cada um de nós. E nos diria: arrisquem-se! Sem medo! Não fiquem parados! Para frente”, acrescentou.  

Dom Cláudio falou ainda sobre dois desafios fundamentais para todo o mundo, as crises ambiental e climática. “Seus grandes vilões são os países altamente industrializados. Mas em certa medida, todos somos responsáveis. A COP21 tratou da crise climática, aquecimento global. A Laudato Si’ antecedeu e influenciou muito a COP21 em questões de clima e ambiente. Na Laudato Si’, o papa destaca quatro dimensões da questão ecológica: religiosa, ética, científica e sócio-econômica-política”, explicou. 

Programação

Diversos temas foram abordados durante o Seminário como os cenários da Amazônia, a realidade migratória no Mato Grosso, questão indígena e Chiquitana, Plano Municipal de Saneamento Básico. Houve, ainda, apresentações culturais. 

O estudo sobre a Laudato Si’ foi conduzido pela equipe da Repam. Na ocasião foi exibido um vídeo do papa Francisco sobre o cuidado da Casa Comum. Em grupos, os participantes refletiram sobre os principais desafios encontrados nas dioceses para a conversão ecológica e sobre as conquistas alcançadas. 

Compromissos

O seminário terminou no domingo, 19, com missa presidida por dom Neri Tondello. Na carta final do evento, os participantes sugerem replicar as reflexões acerca do Seminário; dar continuidade às ações da Repam implantadas, bem como propõem alguns compromissos para a Igreja.  

O próximo seminário “Laudato Si' e Repam” ocorrerá de 24 a 26 de junho, em Porto Velho (RO).