"Nesses 60 anos, a Cáritas tem procurado transformar a realidade, à luz do evangelho", disse dom João Costa

Dom Demétrio Valentini deu testemunho de dezesseis anos à frente do organismo

A Cáritas Brasileira completa neste ano 60 anos de criação. Na tarde de terça-feira, dia 12 de abril, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho, em Aparecida (SP), foi realizada uma comunicação sobre as comemorações. O momento foi presidido pelo arcebispo coadjutor de Aracaju (SE) e presidente da Cáritas, dom João José Costa. O bispo emérito de Jales (SP), dom Luiz Demétrio Valentini, que foi presidente do organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por 16 anos, apresentou um testemunho sobre o trabalho realizado e as atividades comemorativas de aniversário.

Durante a comunicação, no contexto da 54ª Assembleia Geral da CNBB, foi falado sobre a situação atual do organismo, organizado numa rede de 189 entidades membros, em 12 regionais, com cerca de 1900 agentes em todo país, com a missão de “testemunhar e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, defendendo e promovendo a vida, participando da construção solidária de uma sociedade justa, igualitária e plural, junto às pessoas em situação de exclusão social”.

O organismo segue orientações institucionais que envolvem defesa dos direitos humanos, incidência e controle social em políticas públicas, construção de um projeto de desenvolvimento solidário sustentável e fortalecimento da rede Cáritas. “Nesses 60 anos, a Cáritas tem procurado transformar a realidade, à luz do evangelho. À luz da Doutrina Social da Igreja, tem realizado ações solidárias junto às famílias carentes, favorecendo a mudança em suas vidas”, disse dom João Costa.

Histórico

A Cáritas foi fundada em 12 de novembro de 1956, pela CNBB. Em seu início contou com a ajuda de dom Hélder Pessoa Câmara e dom José Távora. Inicialmente, teve a finalidade de articular todas as obras sociais católicas do país e assumir a distribuição do Programa Alimentos para a Paz, implementada após a II Guerra Mundial, subsidiada pelo governo estadunidense. Em 1974, o organismo, em suas unidades menores, foi extinto em muitos lugares, em virtude da diminuição do número de donativos. Muitas equipes, no entanto, foram se adaptando aos novos tempos, possibilitando um renascimento da Cáritas, a partir da promoção humana e dos programas de educação de base. Em 1980, a Cáritas começou a respirar o ambiente da educação de base, do planejamento e da organização pastoral, das comunidades eclesiais de base, movimentos juvenis, dos organismos e das pastorais sociais. Isto possibilitou a renovação da sua metodologia de atuação e a reapresentou para os novos tempos. Foi em 1990, que a Cáritas protagonizou inciativas inovadoras, em âmbito nacional, como também estabilizou os organismos menores. Por meio da mística da solidariedade, “a Cáritas entendeu que precisava agir prontamente com eventos importantes que nos permitam estar em sintonia com o que passa a sociedade”, lembrou dom Demétrio Valentini.

Missão atual

“Quem vive a missão da Cáritas não é um mero agente, mas uma testemunha de Cristo”, disse o papa Francisco, na abertura da Assembleia Internacional da Cáritas, em maio de 2015. Nestes últimos anos, importantes campanhas fizeram parte da história da Cáritas, a exemplo da solidariedade ao povo do Haiti, catadores de materiais recicláveis, desenvolvimento do semiárido brasileiro, desenvolvimento da economia popular e solidária, projetos voltados para o modelo de cidadania ativa, ações de apoio à agricultura familiar, acompanhamentos de assentamentos de reforma agrária, entre outros. “É uma realidade que nos interpela a cada momento, se constituindo de um grande desafio na perspectiva do desenvolvimento sustentável”, disse dom João Costa.

Dom Demétrio Valentini testemunhou que, no período que esteve à frente da Cáritas, sempre buscou “conduzir a Cáritas de maneira bem entrosada com a CNBB, por quatro mandatos, por meio de iniciativas sociais como o Grito dos Excluídos e a Campanha para o Haiti, entre outras”.

Atividades Comemorativas

As atividades jubilares foram abertas nesta terça-feira, dia 13, durante sessão da 54ª Assembleia Geral da CNBB. Ao longo do ano, acontecerão congressos nos organismos membros e nas grandes regiões, em preparação ao encontro de novembro. Neste mesmo mês, haverá um encontro de mais de 500 delegados para definição das prioridades e metas dos próximos quatro anos. O ano comemorativo será encerrado no dia 13 de novembro, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Ao final do momento reservado a Cáritas, foi apresentado em vídeo o projeto 10 milhões de estrelas, ação que integrará as atividades comemorativas. Os bispos foram convidados a participar do projeto já na ocasião, acendendo velas do projeto no plenário da Assembleia.

Assista ao vídeo apresentado aos bispos sobre o projeto 10 milhões de estrelas

Saiba mais sobre o projeto