Bispos partilham sobre realidade ecumênica na Igreja e no mundo

Ao final do dia, houve celebração com presença de líderes religiosos das igrejas cristãs no Brasil

Os “500 anos da Reforma Protestante” esteve entre as reflexões do sétimo dia da 54ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na terça-feira, 12 de abril. O episcopado brasileiro acompanhou exposição do presidente da Igreja Episcopal de Confissão Luterana no Brasil (ISLB), pastor Nestor Friedrich, sobre o documento católico-luterano que lembra os 500 anos da Reforma Protestante que serão celebrados em 2017.

“Do conflito à comunhão” foi tema abordado pelo pastor Friedrich. Na apresentação, explicou que a Comissão Luterano Católico-Romana sobre a Unidade atua desde 1967. Foi nomeada pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos (PCPUC) e a Federação Luterana Mundial (FLM). A iniciativa é considerada o maior fórum internacional para as discussões ecumênicas.

“Do Conflito à Comunhão oferece a católicos e luteranos um enfoque conjunto para a comemoração dos 500 anos da Reforma. É a primeira tentativa histórica no âmbito internacional de descrever a história da Reforma conjuntamente, de analisar os argumentos teológicos que estavam em jogo, de traçar os desenvolvimentos ecumênicos entre nossas comunhões, de identificar a convergência alcançada e as diferenças ainda persistentes”, disse o pastor.

O próximo ano recordará, também, o 50º aniversário do diálogo luterano-católico internacional e os frutos ecumênicos notáveis, entre eles a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação (DCDJ).  Essa Declaração anulou disputas de séculos entre católicos luteranos sobre a doutrina da justificação.

“Cremos que é possível celebrar juntos o testemunho conjunto do Evangelho de Jesus Cristo, que é o centro da nossa fé comum”, lembrou o pastor. 

Durante a exposição, o líder destacou as iniciativas nacionais entre católicos e luteranos, como a realização da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, em diferentes dioceses do Brasil. O pastor recordou, ainda, as palavras do papa Francisco que disse: "Agora é a hora de uma diversidade reconciliada".

Ao final, pontuou os cinco imperativos ecumênicos: 1-) sempre partir da perspectiva da unidade e não da perspectiva da divisão; 2-) luteranos e católicos precisam deixar-se transformar continuamente pelo encontro com o outro e pelo testemunho mútuo da fé; 3-) comprometer-se na busca da unidade visível; 4-) buscar juntos redescobrir a força do Evangelho de Jesus Cristo para o nosso tempo e 5-) católicos e luteranos, em sua pregação e serviço ao mundo, devem testemunhar juntos a graça de Deus. 

Celebração Ecumênica 

“De mãos dadas a caminho porque juntos somos mais, para cantar um novo hino de unidade, amor e paz”, cantaram os bispos e lideranças ecumênicas, ao recordar a Campanha da Fraternidade de 2009. Os trabalhos do sétimo dia da 54ª Assembleia Geral da CNBB encerraram-se com celebração ecumênica. 

Os bispos acolheram as lideranças ecumênicas que ocuparam a mesa do plenário, sendo elas:  dom Flávio Augusto Irala, da Igreja Episcopal Anglicana no Brasil (IEAB) e presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic); pastora Sônia Mota da Igreja Presbiteriana Unida (IPU) e secretária executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviços; pastor Joel Zeferino, da Aliança de Batistas do Brasil (ABB); dom Ramanós Dowd, bispo auxiliar; e Hipodiácono Georgios Jener Verçosa, ambos da Igreja Ortodoxa de Antioquia.

A celebração foi presidida pelo bispo do Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da CNBB, dom Francisco Biasin.

“É importante que não haja apenas o ecumenismo do estudo, dos diálogos, do serviço, mas quem sabe o ecumenismo do coração”, disse dom Biasin no início da celebração. 

A meditação do Evangelho do dia foi conduzida pela pastora Sônia Mota, da Igreja Presbiteriana Unida. Ela abordou as reflexões da 54ª Assembleia Geral e disse que os cristãos sãos chamados a ser sal da Terra e luz no mundo.

"Apesar das diferenças que ainda persistem, nos anima a certeza de que temos a mesma Bíblia, o mesmo batismo, que são símbolos desta unidade e obra de Deus. Outro grande feito de Deus a ser proclamado é a consciência de que a Igreja não existe para si, mas que ela está a serviço da transformação da sociedade e do mundo. A fé cristã é uma fé pública, ela não tem a finalidade de permanecer dentro de seus muros e preservar a instituição, mas ela busca o povo lá onde se encontra, também do lado de fora dos muros", sublinhou.

Lembrou, ainda, a missão das igrejas cristãs no Brasil. “Estamos aqui para reafirmar nosso compromisso, para proclamar os grandes feitos do Senhor. O contexto em que vivemos é outro, mas enfrentamos, também, outras dificuldades. Falta compromisso com o bem-estar comum, respeito com a natureza e com a vida. Isso também precisa ser um compromisso do ecumenismo”, disse.

Para a pastora,  o momento também deve ser de celebração da caminhada ecumênica na Igreja no Brasil, desde o Concílio Vaticano II.

“Em tempos de intolerância, de disputas pelo mercado da fé, podemos mostrar a face de um Cristo que une, que provoca conciliação de quem pede perdão e de quem é perdoado. É a face do Cristo amor, do Cristo compaixão, do Cristo a serviço, do Cristo que vem ao encontro e no abraça como filhos e filhas", finalizou a pastora.