Missa recorda bispos falecidos

Arcebispo de Montes Claros destacou testemunho e doação daqueles fizeram sua páscoa

A missa desta segunda-feira, 11, sexto dia da 54ª Assembleia Geral (AG) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), recordou os bispos falecidos desde a última Assembleia. Presidiu a celebração o arcebispo de Montes Claros (MG), dom José Alberto Moura, que destacou, a partir do Evangelho do dia, que “a formação da fé comprometida com Deus e a promoção do seu reino são mais que o proselitismo de seguimento por interesses da ordem material” e ressaltou o testemunho e a doação dos membros do episcopado que faleceram.

Não o alimento que se perde

“Procurar a Jesus é indispensável para quem quer assumir a vida com a conquista de sua plena realização. Só a matéria deixa o humano desumano”, iniciou dom Alberto Moura. 

O bispo lembrou dos motivos que levavam as pessoas a procurarem Jesus, sejam as autoridades e mestres da lei para o acusarem, sejam “aqueles que iam encontrá-lo para resolver seus problemas de cura, milagres”, mas salientou que, de fato, Jesus realizou isso tudo para o bem das pessoas e continua realizando. “Deus faz muito mais milagres do que nós possamos imaginar. O milagre da vida, da boa consciência, da convivência justa, fraterna e misericordiosa”, sublinhou.

No evangelho, Jesus adverte sobre a necessidade de se alcançar alimento que não perece, “mas que dá base para a concepção da vida eterna”, observou o arcebispo. “Ele alimentou o povo para segui-lo, alimentando-se da sua carne e do seu sangue para alcançar a vida eterna. Mas depois que Jesus colocou esse desafio, muitos discípulos deixaram de segui-lo. Seguir a Jesus para o que der e vier, eis a nossa fé”, sustentou.

Dom José Alberto Moura lembra que Pedro fez sua profissão de fé após o desafio de Jesus, quando fala “Senhor, só tu tens palavras de vida eterna” e explica que os apóstolos “deram sua via por Jesus e espalharam sua boa nova para muitos lugares. Paulo, por exemplo, uma vez convertido, também foi incansável em anunciar Jesus”. Sobre os bispos falecidos, reconhece que “foram incansáveis em dar de si”.

Compromissos

“Por causa do Senhor também nós assumimos o compromisso no batismo de viver uma fé comprometida de modo responsável, transformador. Não é simples fé no aspecto vertical, como se a cruz de Cristo tivesse apenas a haste vertical, no entanto, a cruz tem duas hastes indicando a relação com Deus e com o semelhante, fazendo com que, em nome, e com a ajuda de Deus, assumamos a nossa responsabilidade para com essa casa comum”, explica.

Aprofundando sobre o compromisso com a casa comum, o bispo aponta para o compromisso de fazer com que o planeta “dê de todo seu potencial criado por Deus para que realmente a vida aconteça”. “Temos que usar esse planeta para produzir vida e não para degradá-lo irresponsavelmente, e isto tem acontecido já com danos muito grandes não só para a natureza, mas para tudo o que vive em cima deste planeta. Temos que assumir nossa solidariedade com todos, usando nossos talentos para produzirmos vida de qualidade para todos, dentro da vocação de cada um”, exorta.

Sobre o seguimento a Jesus, dom Alberto Moura fala ao episcopado que, como pastores, são “instados a ajudar as pessoas a conhecerem Jesus, seguindo o que ele pede, porque nós somos chamados a ajudar a implantar a consciência, a responsabilidade da fé, de não apenas de promover uma religiosidade da relação com Deus, mas da fundamentação em Deus para que se produza efeito esta nossa relação com Deus e para com o semelhante”.

Também são convidados, de acordo com o bispo, a orientar a todos para uma fé comprometida, com seguimento a Jesus, custe o que custar, em vista de Ele ser o filho de Deus.

Ao recordar o retiro dos bispos, neste final de semana, que teve como pregador o presidente do Pontifício Conselho para a Cultura do Vaticano, cardeal Gianfranco Ravasi, o arcebispo reforçou que “não basta crer, é preciso convencer, é preciso sermos críveis, que acreditem em nós por causa de nossa fé em Jesus e porque nós, na prática, mostramos quem somos no seguimento a Jesus”.

Força de transformação

Diante da realidade apresentada, dom José Alberto Moura sinalizou que todas as pessoas e organismos eclesiais tem força de transformação, quando alimentados pela palavra do Senhor, que produz força vitalizante. “O mundo tem jeito se estiver impregnado do jeito de Cristo, como anunciou Estevão. Dar a vida e servir à humanidade para que todos tenham vida plena, coloca-nos como verdadeiros discípulos que procuram imitar o mestre na doação total, não importando sacrifícios para isso”, disse.

Nessa linha de pensamento, lembrou dos inúmeros mártires, mesmo nos tempos atuais, que “não tem tido medo de defender a verdade, a justiça, o bem comum, a boa política, a inclusão social dos empobrecidos, a dignidade da vida e da pessoa humana”, e deu o exemplo do bispo e mártir polonês Santo Estanislau, cuja memória a Igreja faz hoje. 

Falecidos

“Muitos luminares de nossas igrejas particulares podem até não aparecer como grandes benfeitores da humanidade, mas são como baluartes de evangelização, testemunhos da verdade, da justiça e do bem da sociedade, através de sua missão e seu serviço à causa do Reino, até na humildade de sua doação”, afirmou o presidente da celebração eucarística, destacando o testemunho e a doação de leigos, leigas, religiosos, religiosas, sacerdotes e de bispos que “enriquecem a Igreja com a sua doação total pela causa do evangelho”

“Então, fazendo memória de nossos bispos falecidos, de modo especial desde a nossa última assembleia, temos o testemunho e os valores por eles assumidos no seguimento a Jesus e no serviço prestado à Igreja e a toda sociedade. Consagrados do Senhor e fiéis à sua missão, foram verdadeiros missionários de Jesus. Eles são para nós como luz erguida bem em cima, indicando-nos que vale a pena viver nossa vocação com entusiasmo, misericórdia e amor”, refletiu. “Lembramos cada um deles em nossa oração, pedindo para que Deus os tenha em seu Reino eterno e assim intercedam também para que nós sigamos os seus bons exemplos”, rogou.