CNBB colabora com formação litúrgica na Amazônia

Escola de capacitação tem apoio do regional Norte 1 e de duas Comissões da CNBB

Com foco na “urgente necessidade da animação da vida litúrgica das comunidades da região amazônica”, foi realizada a 1ª etapa da Escola de Capacitação e Atualização Litúrgica para a Amazônia, entre os dias 6 e 14 de fevereiro, em Manaus (AM). A iniciativa foi organizada pelo Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (Itepes), em parceira com o regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), as Comissões Episcopais para Amazônia e para Liturgia da Conferência e a Congregação Religiosa das Pias Discípulas do Divino Mestre.

“Foi sempre um desejo dos bispos diante do desafio, de modo especial, cultural que a Amazônia tem”, explicou o diretor executivo do Itepes, padre Raimundo Vanthuy Neto. O responsável pelo Instituto relatou que participaram da formação três grupos indígenas da região do alto Rio Negro e também de Roraima.

O projeto da Escola de Capacitação e Atualização Litúrgica consiste, de acordo com a organização, no favorecimento dos estudos e vivência da Liturgia. A iniciativa é considerada uma reposta à urgente necessidade da animação da vida litúrgica das comunidades que, na região amazônica, celebram dominicalmente a Palavra de Deus.  Há comunidades que celebram a eucaristia duas ou três vezes ao ano.

A escola tem como alvo os agentes leigos e leigas das comunidades da região. “A Igreja na Amazônia, basicamente, é sustentada nas suas comunidades por leigos e leigas, de modo especial na vida litúrgica”, afirma padre Vanthuy, lembrando que cerca de 90% da região celebram somente a Palavra. “Tem prelazias e dioceses, lembro aqui Borba, que não tem nem vinte padres”, sublinha.

Com a segunda etapa marcada para o período de 2 a 7 de julho, a Escola sustenta entre seus objetivos dar continuidade à iniciação cristã e à formação dos agentes de pastoral das comunidades da Igreja na Amazônia, em perspectiva de uma liturgia missionária e inculturada; proporcionar estudo aprofundado da liturgia, segundo o Concilio Vaticano II, os documentos e orientações da Igreja do Brasil e da Amazônia, para os agentes das prelazias e dioceses do regional Norte 1 da CNBB; capacitar multiplicadores para compor, articular e promover uma melhor assessoria teológica litúrgica nas prelazias e dioceses.

O aprofundamento dos estudos ligados à liturgia se dará de modo singular aos leigos e leigas que sustentam e animam a vida litúrgica nas comunidades urbanas, ribeirinhas e indígenas, em vista de uma melhor resposta aos desafios da inculturação e da secularização, de acordo com o Itepes. Padre Vanthuy destacou a participação ativa dos leigos na primeira etapa da formação, ocasião em que apresentaram problemas relacionados à música, aos instrumentos musicais e aos espaços celebrativos, que nem sempre é um templo, mas margens de rios, debaixo de árvores, malocas indígenas e até dentro de barcos. “A liturgia na Amazônia terá uma prioridade dos leigos, da enculturação e da presença missionária. É na liturgia que temos o povo. A hora que a comunidade se reúne, a hora que tem visibilidade a Igreja Católica, é na hora das celebrações”, afirma.