Para dom Dimas, objetivo da CPI do Cimi é “desviar o assunto sobre territórios indígenas”

Diante de proposta de CPI do Cimi, movimentos procuram arcebispo e pedem investigação de mortes de indígenas

Movimentos sociais, sindicais e populares do Mato Grosso do Sul reuniram-se, na última sexta-feira,  25, com o arcebispo de Campo Grande (MS), dom Dimas Lara Barbosa, para prestar solidariedade ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que está sendo investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do estado, chamada de “CPI do Cimi”. Na quinta-feira, dia 24, os membros dos grupos sociais lançaram a campanha “Eu Quero: CPI do Genocídio!”, para contrapor a iniciativa da bancada ruralista do parlamento local e denunciar a violência sofrida pelas tribos no estado.

De acordo com dom Dimas, a “CPI do Cimi” tem o objetivo de desviar o foco dos debates sobre os conflitos de terra que envolvem fazendeiros e indígenas.  “A demarcação é a questão principal. Concordo com a indenização dos fazendeiros, mas a CPI do Cimi é para usar o Conselho como 'bode expiatório' e desviar o assunto sobre os territórios indígenas”, disse.

Para o Cimi, a abertura da investigação foi feita “sem fato determinado e sem demonstrar nenhum indício de ilegalidade por parte do Cimi”. 

A Campanha proposta pelos movimentos sociais pretende “mobilizar a sociedade sul-mato-grossense e nacional, além de organismos internacionais de direitos humanos, contra a matança orquestrada de indígenas, a falta de demarcação e a criminalização dos movimentos sociais no estado”. 

Na quinta-feira, durante sessão da Assembleia Legislativa, representantes de movimentos sociais manifestavam-se a favor da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar os mais 390 assassinatos de índios ocorridos no estado, quando as atividades tiveram de ser suspensas. Desde o fim de agosto foram 10 ataques a tribos dos Guarani e Kaiowá.


Preocupação

No encontro com os membros dos movimentos sociais, dom Dimas expressou preocupação com relação “à situação de miséria e insegurança em que vive a população indígena” do Mato Grosso do Sul.

O arcebispo ainda ressaltou os esforços no sentido de dialogar sobre a questão dos conflitos entre indígenas e fazendeiros. “Tenho feito o esforço de diálogo. É importante que o estado retome as negociações, embora saibamos que a responsabilidade é, sobretudo, do Governo Federal. Em determinados momentos há também uma responsabilidade do Governo Estadual com relação a questões, como saúde e segurança, por exemplo”, explicou.

Também participou da reunião o bispo auxiliar de Campo Grande, dom Janusz Marian Danecki.

Com informações das Pontifícias Obras Missionárias (POM) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
Com fotosa do Coletivo Terra Vermelha