A força dos Cristãos leigos na Igreja e na Sociedade

Dom Severino Clasen
Bispo de Caçador (SC)

“Vós sois aqueles que antes não eram povo, agora, porém são povo de Deus; os que não eram objeto de misericórdia, agora porém alcançaram misericórdia”(1Pd 2,10).

 

É hora de saudar a todos os Cristãos leigos e leigas que assumiram pela graça do Batismo a construção de um mundo melhor, inspirados no Evangelho de Jesus Cristo. Na busca do perdão de seus pecados, os batizados na Trindade crescem na caridade, na fé e na espiritualidade cristã. A experiência do amor constrói uma sociedade sem males.

A Comissão Episcopal de Pastoral para o Laicato, durante a celebração dos 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II, está realizando um sonho, atrair todos os cristãos para contribuir na reflexão e na elaboração de um documento para animá-los na ação missionária tanto na Igreja quanto na sociedade, “Os cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da terra e luz do mundo”.

O instrumento de trabalho foi aprovado na última Assembleia Geral e já se encontra disponível nas Edições da CNBB e livrarias católicas para que todo o povo de Deus possa ter acesso e contribuir com emendas, sugestões, acréscimos e cortes. Grande desafio, produzir um documento com uma linguagem simples e acolhedora para toda a Igreja. Como superar o clericalismo, uma Igreja centralizadora e partir para uma Igreja “em saída”, tanto mencionada pelo Papa Francisco? Que o documento insista na importância da consciência de que os leigos são sujeitos na Igreja, superando a dicotomia clero e leigos e a mentalidade dos leigos serem objetos na Igreja ou cristão de segunda categoria.

Três forças nos impulsionaram para a elaboração do texto em estudo. Primeira, os documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II e pós Concílio. Segunda, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Terceira, a carta magna Evangelli Gaudium e os rumos que o Papa Francisco vem nos apontando.

Urge cada vez mais que sejamos ousados na compreensão de ser Igreja nos dias de tanta ebulição na sociedade. Coragem, determinação são palavras de ordem que são capazes de sensibilizar as pessoas para agir conforme os sentimentos de Jesus Cristo. Pela graça do Batismo, somos incorporados no ressuscitado. Levar o mundo a conhecer a mensagem do Filho de Deus, eis a grande missão. Passou o tempo em que essa tarefa cabia apenas aos consagrados e ordenados. A soma de responsabilidades e parceria mútua que a mensagem bíblica nos oferece se torna uma grande vertente para fazer com que a humanidade conheça o Senhor dos Senhores.

Por mais importante que sejam os sacramentos, a dinâmica de admiti-los em nossa vida deve ter uma pedagogia própria. A partir do chão onde estamos, onde vivemos e nos movemos, o testemunho de vida cristã no cotidiano nos deve levar aos sacramentos, como que sacramentando nosso seguimento a Jesus Cristo. Os sacramentos por si só não atraem em um mundo globalizado, onde as ofertas, inclusive de religião, são muitas. Para fazer a bela experiência do seguimento e do encantamento do discipulado, é preciso contar com a força da comunhão.

Nesse intuito, que o instrumento de trabalho chegue às mãos de muitos cristãos além dos ordenados e consagrados. Os Leigos e as Leigas, sobretudo, com experiência das dores e das alegrias na família, no mundo do trabalho e das convivências sejam convocados para contribuir na produção de um documento que seja modelo de atração e acolhimento a todos os batizados, reanimá-los na fé e no testemunho no mundo e entusiasmo na Igreja, que deve ser renovada e reanimada. O texto bíblico do vinhateiro (cf. Mt 20,1-16), é um belo exemplo de seguimento e de convencimento sobre a importância de participar na vinha do Senhor.

Que sejamos abertos, serenos, confiantes como o Senhor, que contratou os operários para a vinha, fez com eles um trato e cumpriu. Que a inveja, a desconfiança e o menosprezo não arruíne a vinha do Senhor. Acreditamos que juntos, e fortalecidos pela força do Evangelho, olhando para o mundo onde o Espírito Santo nos envia, acolhamos, sobretudo, os mais machucados, esquecidos e ignorados pela sociedade. Que os pobres sejam a porta que se abre para assumirmos com fecundidade a evangelização, novo ardor no coração de tantos que acreditam na paz, na justiça e na fraternidade.

Que estejamos atentos para que os novos rumos da Igreja como sal, luz e fermento transforme o mundo. Eis a missão de todos que receberam a graça do Batismo e testemunham o Cristo, Filho de Deus em todo o mundo.